RESIDÊNCIA MAURO PEREIRA LOPES

Mauro Pereira Lopes, um visionário ousado, impetuoso e insatisfeito com os padrões construtivos estabelecidos, desejava sua moradia concebida além das formas da arquitetura convencional vigente.

Uma arquitetura diferenciada, além do status quo dos efeitos visuais românticos representados por obras estilo colonial, ou de outros modelos importados, porém distanciados da sua realidade profissional pois, como engenheiro especializado no cálculo de grandes obras, estava consciente das amplas possibilidades construtivas oferecidas pelo concreto.

Por meio de seu vasto conhecimento sobre sistemas estruturais, Mauro percebia o futuro das cidades, dos amplos espaços construídos gerados por formas, volumetrias e dimensões sofisticados derivados dos avanços tecnológicos e altamente diferenciados das construções existentes na época.

Ele conseguia, em decorrência de sua antecipação do futuro, visualizar um mundo diverso daquela realidade atual e desejava antecipar sua existência naquele ambiente futurista.

Por volta de 1978, fui procurado por Mauro, que me falou de sua intenção em construir uma residência e após esse contato, contratou-me para o desenvolvimento do projeto de sua moradia no então Clube dos Caçadores em Belo Horizonte, quando tivemos a primeira troca de ideias sobre o objetivo.

Nossos desejos de transformação estavam identificados e naturalmente ocorreu uma empatia, que logo estabeleceu entre nós um vinculo decorrente da semelhança de nossos pensamentos e atitudes sobre o que seria uma obra executada naquele ano, e a mesma sendo observada e avaliada num futuro remoto.

Eu me vi imerso no conteúdo de suas reflexões e participante de seus desejos de mudança. O processo de decodificação e interpretação de seus desejos para sua residência foi assim facilitado pela leitura assimilável daqueles ideais.

No princípio, causou-me um espanto saudável suas observações de como gostaria que fosse sua residência, no seu dimensionamento e na sua forma de inserção no ambiente construído, sendo esses conceitos derivados logicamente de sua inquietude diante da normalidade construtiva estabelecida.

Na elaboração do conceito para o desenvolvimento do projeto, além dos itens quantitativos componentes da pesquisa, entendi que as ideias vigentes de setorização ou configuração típica de compartimentação também poderiam ser revistas e, como decorrência, as visuais externas e internas seriam evidentemente afetadas criando alguma estupefação por parte do observador.

Os espaços dispostos em sequência inusitada gerou um vetor de inquietude pela presença de elementos compositivos internos, aparentemente desnecessários e externos na volumetria geral do objeto, que levariam inevitavelmente à pergunta do “por quê?”, feita por aquele que entrava em interação com o espaço circundante.

E nesse caso podemos entender que tudo aquilo que é instigante e gera a pergunta, transforma-se em arte porque cria a reflexão e desenvolve o pensar. E assim, a interação com o objeto deixa de ser superficial e passa a ter um significado.

O resultado construído é decorrente da atividade profissional de seu proprietário na busca da inovação traduzida pela estrutura em concreto aparente, pelas amplas visuais e sua implantação, pelos espaços internos diferenciados e monumentais.

O inconformismo, a ousadia e desprendimento de um especialista nas artes construtivas gerou um produto diferenciado que se destaca no entorno construído e que vai sempre exigir um segundo olhar do passante.

É o fruto da determinação de uma pessoa que não se conformou com o resultado apenas imediatista da apresentação de uma obra, mas que consolidou sua presença frente a um tempo indefinido na demonstração final do equilíbrio entre a forma, a técnica e sua permanência atemporal.

Marco Antônio de Pádua
Arquiteto autor do Projeto Arquitetônico da Residência

MARCO ANTÔNIO DE PÁDUA

Arquiteto formado em 1968 pela Escola de Arquitetura da UFMG, onde foi também Professor na Disciplina Planejamento I, entre 1979 e 1981. Desenvolveu ao longo de sua carreira uma quantidade significativa de projetos de construções comerciais, industriais e residenciais em todo território nacional.

Reconhecido em vários concursos de Arquitetura, participou de cursos e pós-graduações nas áreas de ensino de projetos, estudos do comportamento humano, aquecimento solar, estruturas metálicas e convencionais, sistemas térmicos, bases conceituais e linguagem cinematográfica, sistemas tecnológicos de sustentabilidade aplicados ao ambiente construído, racionalização de processos construtivos, construção sustentável, e muitos outros.

MAURO PEREIRA LOPES

Empresário e Engenheiro Civil formado em 1969 pela Escola de Engenharia Kennedy, recordista em projetos civis de engenharia para a indústria siderúrgica, foi responsável por grandes projetos estruturais e de fundações, entre eles quatro dos maiores altos-fornos do Brasil (Usiminas, Açominas e CST).

Um visionário ousado, impetuoso e insatisfeito com os padrões construtivos estabelecidos, desejava sua moradia concebida além das formas da arquitetura convencional vigente. Por meio de seu vasto conhecimento sobre sistemas estruturais, percebia o futuro das cidades, dos amplos espaços construídos gerados por formas, volumetrias e dimensões sofisticados derivados dos avanços tecnológicos e altamente diferenciados das construções existentes.

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